Indicações de Ecografia de
Próstata
A próstata pode ser examinada pelas vias transabdominal,
transuretral, transperineal e transretal.
O estudo ultra-sonográfico da próstata pela via transabdominal
requer repleção vesical, que servirá como janela acústica.
Usa-se geralmente transdutor setorial ou convexo de 3.5
MHz angulado caudalmente.
Não deve ser realizada repleção vesical acentuada,
pois esta promove deslocamento caudal da próstata, que dificulta
a sua visibilização. A próstata fica mais afastada do transdutor
e se posiciona por trás da sínfise púbica, cuja sombra dificulta
e prejudica a avaliação prostática . Ademais, a bexiga muito
cheia pode provocar eventualmente retenção aguda no paciente
prostático.
A técnica transuretral é uma das técnicas endocavitárias
pioneiras a ser empregada no estudo da próstata. São realizados
cortes radiais, que permitem também uma precisa avaliação
da superfície e paredes vesicais. O exame transuretral oferece,
no entanto, limitações à sua aplicação, pois requer associação
de cistoscopia para a introdução do transdutor, é técnica
"invasiva", havendo riscos de lacerações, rupturas e infecção
na via urinária.
A via transperineal utiliza os músculos da região
como condutores do feixe sonoro. Usa-se preferencialmente
transdutor setorial de 5MHz. Na prática, esta técnica é
pouco empregada porque, muitas vezes, a resolução da imagem
não é satisfatória devido à interposição do tecido fibromuscular
do períneo, como também ocorrem artefatos de superfície
devido à grande pilificação. Esta técnica é esporadicamente
utilizada como uma alternativa quando não se consegue a
visibilização da glândula pela técnica transabdominal, como
também nos pacientes com amputação do reto em que a ultra-sonografia
endorretal é impossível.
O estudo da próstata pela técnica transabdominal
permite: visibilizar a topografia da glândula, medir suas
dimensões e calcular o peso aproximado; estudar de uma maneira
grosseira as relações anatômicas com as vesículas seminais
e calcular o volume do resíduo pós-miccional.
A via transabdominal não permite uma avaliação adequada
da ecotextura prostática, e não deve ser empregada para
diagnóstico de lesões focais e neoplasias. A técnica transabdominal
permite, no entanto, uma confiável avaliação do volume prostático
bem como se constitui num confortável método de se medir
o resíduo urinário. Além disto, permite uma ampla definição
anatômica locorregional da pelve.
A técnica ecográfica mais importante para o
estudo da próstata é a transretal. Os transdutores empregados
para a avaliação transretal da próstata podem ser do tipo
radial, linear, setoriais (ënd fire") e biplanos. Os transdutores
radiais permitem a avaliação da próstata somente nos cortes
axiais, enquanto os transdutores lineares exclusivamente
permitem a realização de cortes sagitais. Devido a esta
avaliação uniplanar e limitada, estes transdutores deixaram
de ser utilizados na rotina ecográfica da próstata. Os transdutores
setoriais "end fire"e os biplanos permitem a realização
de cortes em todos os planos, que obrigatoriamente fazem
parte do exame e que, sem dúvida, proporcionam maior acurácia
ao método ultra-sonográfico.
Para a realização do exame, o paciente é posicionado
em decúbito látero-esquerdo com os membros inferiores fletidos.
O transdutor, recoberto por preservativo lubrificado com
vaselina ou gel sônico, é introduzido e direcionado para
obtenção dos cortes diagnósticos. os transdutores de alta
freqüência (7MHz), que são empregados, permitem um adequado
estudo da zona periférica (superficial ao transdutor). Quando
a perfeita visibilização periférica não é possível por ser
o foco do transdutor mais profundo ou houver dúvida diagnóstica,
é acoplada uma pequena na ponta do transdutor, especialmente
desenvolvida para incrementar a informação dos contornos
e zona periférica. Esta técnica permite também diferenciar
e identificar pseudolesões hipoecóicas decorrentes de pouco
contato do transdutor com a parede retal.
O exame pela via transretal é bem tolerado pela maioria
dos pacientes, apesar do desconforto durante a passagem
do transdutor pelo esfíncter anal. Às vezes a manobra de
Valsalva facilita e diminui o desconforto durante a introdução
do transdutor.
Na técnica transretal são realizados múltiplos
cortes transversais, axiais e longitudinais. A denomicanção
sagital é sinônima de longitudinal. Somente na porção apical
da próstata obtêm-se os cortes axiais. Como a porção média
e a base da glândula apresentam aumento do grau de obliqüidade,
os cortes realizados são transversais. Nos cortes transversais
e axiais estudam-se a simetria, a integridade das margens
laterais e da cápsula. Os cortes longitudinais são realizados
da periferia direita até o centro e desta região até a periferia
esquerda. O plano médio-sagital é identificado quando o
colo vesical é visibilizado, todavia nos casos em que a
zona de transição está assimétrica não podemos usar este
critério. Em todo estudo deve-se observar as vesículas seminais
e suas relações anatômicas com a próstata.
A análise crítica dos métodos ultra-sonográficos
da próstata mostra que são inúmeras as vantagens da técnica
transretal. A técnica transretal apresenta entre outras
características ser de fácil execução, não necessita preparo
intestinal ou de repleção vesical. Permite a visibilização
da próstata em sua totalidade e o cálculo estimado do volume,
como também informa com nitidez a textura do parênquima
e a imagem da cápsula com possíveis alterações causadas
por invasão tumoral. Propicia também melhor visibilização
das vesículas seminais, da musculatura lateral e punção-biópsia
ecodirigida.
A técnica transretal apresenta algumas restrições
em situações que são pouco toleradas pelos pacientes, tais
como: prostatite bacteriana aguda, fissuras anais, hemorróidas
trombosadas e proctite.
CDI - Centro de Diagnóstico
por Imagem
Ecografia
Mamografia - Raio-X - Densitometria Óssea
Dr.Guido
Pérez Médico Radiologista Ecografista
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